Perfil
Menina pequena que ama Starbucks e qualquer coisa que inclua letras. Lê para viver e escreve para respirar. Não sabe andar de bicicleta mas sabe fazer origamis. Vícios incluem Harry Potter, maquiagem, finais felizes e livrarias.
 
 

Wishlist

♥ ♥ Coleção de obras completas de Shakespeare ♥ Cd The Metal Opera (parte I e parte II), do Avantasia ♥ Livro Fama e Anonimato, Gay Talese ♥ Livro A Menina Que Roubava Livros, Markus Zusak
 
 Arquivos

25/07/2010 a 31/07/2010

07/02/2010 a 13/02/2010

15/11/2009 a 21/11/2009

30/08/2009 a 05/09/2009

23/08/2009 a 29/08/2009

19/07/2009 a 25/07/2009

31/05/2009 a 06/06/2009

10/05/2009 a 16/05/2009

26/04/2009 a 02/05/2009

12/04/2009 a 18/04/2009

 
 Links

 

Visitas

 
01/09/2009 às 17h14

... em pregos

♥ The Heart Of The Matter - versão da India.Arie

Peços desculpas adiantadas porque o texto não ficou bom, mas hoje eu realmente precisava desabafar escrevendo. Não me preocupei com a perfeição dele ou mesmo com qualquer coisa além de passar um pouco da minha mente para palavras - e eu senti muita vontade de colocar aqui. Também peço desculpas pelo segundo post seguido com o tema ligeiramente parecido.

Eu tenho uma cicatriz na palma da mão esquerda. Com o passar do tempo, ela se tornou uma linha tão fina e clara, incrustada na pele, que ninguém que não saiba o que procurar vai achar-la. Mas eu sei que está ali.

 

Lembro perfeitamente do dia em que eu ganhei essa marca. Cai, um tombo bem feio, no meio do pátio lotado da minha escola enquanto ensaiava uma peça de teatro. Minha mão foi parar em cima de um prego, de tamanho médio e provavelmente muito sádico, já que estava com a ponta para cima. Não vou contar em miudezas o que aconteceu porque acho que deu para ter uma noção da onde veio a cicatriz. Na hora do tombo, levantei e ri; por vergonha, por medo do que iriam pensar e por querer bancar alguém que não sou. Levou alguns segundos para eu notar que minha mão latejava como se queimando, que havia sangue nela, na minha blusa e um pouco no chão.

 

Os anos se passaram e hoje essa marca se tornou algo que quase se confunde com as linhas da minha palma e de qualquer história que possam dizer que elas contam. Contra alguma luz, pode-se notar que existe uma pequena fita, bem próxima á uma veia, que é um pouco mais branca que o resto da pele. Nas primeiras semanas depois da cicatrização, a realidade era outra: era vermelho vivo, arrorexeado, marrom. Um machucado exposto ao mundo.

 

Quando olho para ela, sei que ninguém que não eu pode achar-la ao acaso – é um segredo entre mim e quem eu quero que saiba. Apenas eu consigo me lembrar com perfeição do tombo, da sensação de queimação e do quão quente era o meu sangue fino. Também não há outro alguém conhecedor de algumas outras cicatrizes secretas que eu carrego longe da minha mão.

 

Viver sem cicatrizes é ser uma pessoa incompleta. Não digo aqui cicatrizes de pele; as mais profundas são aquelas invisíveis e que, por tantas vezes, mantemos lacradas dentro de nós. Muitas vezes se tem vergonha e medo delas. Porém, eu não consigo parar de me dizer que é melhor sangrar por cortes repletos de sentimentos do que viver a vida sem nenhuma marca ou cicatriz para saber que, de fato, a própria vida nos marcou e a sentimos.

 

As vezes, como hoje, eu gostaria de achar alguém que conseguisse enxergar a cicatriz e além. Que alguém pegasse minha mão e tivesse vontade de saber a história que tem por trás disso – não para ver uma cicatriz na minha mão esquerda, mas para conhecer as que eu guardei bem longe da pele. Alguém que eu conhecesse as próprias cicatrizes, e não que se esforçasse em esconde-las de mim á todo custo. Uma pessoa que tivesse uma certa cicatriz tão dolorosa quanto á que eu tenho em mim.

 

No final das contas, acho que admiro cicatrizes.

 



Speak Up!