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Menina pequena que ama Starbucks e qualquer coisa que inclua letras. Lê para viver e escreve para respirar. Não sabe andar de bicicleta mas sabe fazer origamis. Vícios incluem Harry Potter, maquiagem, finais felizes e livrarias.
 
 

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26/07/2010 às 23h29

♥ Ouvindo: o som da minha CPU esquentando lentamente

Eu tinha uma grande amiga, que amei como nunca amei em uma amizade.

Ainda lembro das nossas risadas, nossas piadas, nossos telefonemas, nossos choros. Nunca houve brigas. Em dois anos de convivência, eu sentia que a conhecia uma vida inteira, que seriamos amigas uma vida inteira. Amei-a de todo o coração, como se fosse parte da minha família, parte da minha vida, parte de mim.

Até algumas horas atrás, uma parcela dessa parte de mim ainda doía com uma dor já antiga, que fez aniversários. Doía com o sentimento de ter sido usada, enganada, difamada por alguém que eu tão bem queria. Quando mais recente, parecia sangrar sempre que eu conhecia alguém novo, nunca confiando, nunca me entregando. Foi preciso lágrimas e pessoas sinceras para me fazer entregar minha amizade para pessoas novas e deixá-las entrar na minha vida – sempre, porém, com o pé atrás, com a lembrança e o fantasma. Nos tempos atuais, era uma ferida de alguns pontos segurando.

Eu olhei nos olhos dela. Ela não olhou nos meus. A dois anos, ela havia criado um pequeno inferno escaldante na minha família. Eu abracei a dela hoje. Quando ela me chamou por “Mari”, na hora da despedida, eu senti uma sensação que me lembrou de todos os risos dados juntos, que se seguiu á lembrança de todos os toques de telefone que ela não respondeu. Quando ela virou as costas, não existiam asas presas nas omoplatas, e eu finalmente senti que os fios de marionete já não existiam nas minhas.

Os olhos eram pequenos. Pequenos e quase verdes. Os meus, no carro, ficaram vermelhos com as lágrimas que terminaram de lavar esse fantasma, esse marco, essa cicatriz de mim. O silvo da serpente já não ecoa mais na minha mente.

Me sinto feliz.



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